PILAR PIN · DOR CRÔNICA

Dor crônica — saia sem opioide e sem tarja preta

Lombar, enxaqueca, fibromialgia, artrose: protocolo multimodal que ataca inflamação, sono, movimento, fáscia e gatilhos emocionais.

Termômetro PIN da dor

📅 Status: DOR CRÔNICA (≥3 meses)

🧠 Score de risco multimodal: 11

Risco de sensibilização: MODERADO

⚠️ Educacional. Dor >3 meses ou progressiva: avaliação médica.

Triagem rápida — qual ebook ataca a sua dor?

3 perguntas e o protocolo PIN mais alinhado ao seu perfil.

1. Onde dói mais?
2. Qual destes pesa no seu caso?(marque quantas quiser)
3. O que você quer atacar primeiro?

⚠️ Triagem educacional. Não substitui consulta médica.

12 erros para PARAR hoje

6 quadros × escada de tratamento

Quadro1ª linha2ª linha3ª linha
Lombar crônicaMcKenzie + fortalecer coreFisio + caminhadaBloqueio/RFA se neuropática
CervicalgiaMobilidade + ergonomiaFisio postural + forçaInfiltração de gatilho
EnxaquecaMg 400 + B2 400 + sonoTopiramato/propranololAnti-CGRP (Aimovig)
FibromialgiaSono + aeróbico + Vit DDuloxetina/pregabalinaTCC + ACT
Artrose joelho/quadrilPerda de peso + forçaAH/PRP intra-articularPrótese se incapacitante
Neuropatia diabéticaGlicemia + ácido alfa-lipoicoPregabalina/duloxetinaBloqueio + capsaicina

20 perguntas frequentes

Dor crônica é o quê, exatamente?

Dor que persiste >3 meses, independente da causa inicial. O sistema nervoso aprende a doer (sensibilização central) e a dor vira a doença, não o sintoma. 30% dos brasileiros adultos têm. Tratamento exige abordagem multimodal: corpo + mente + sono + movimento.

Por que opioide é armadilha?

Tolerância em 2-4 semanas, hiperalgesia (passa a doer mais com a droga), constipação, depressão respiratória, dependência. EUA: 80 mil mortes/ano por opioide. Brasil cresce. Codeína, tramadol, oxicodona, morfina = uso curto e justificado, nunca rotina.

Anti-inflamatório (AINE) crônico — qual o problema?

Diclofenaco, ibuprofeno, nimesulida diários: úlcera, sangramento GI, lesão renal, IAM, AVC. Aumentam evento cardiovascular em até 30%. Veja /rins. Alternativas: dipirona, paracetamol, fisioterapia, ômega-3, curcumina, frio.

Inflamação silenciosa alimenta dor?

SIM. Açúcar, ultraprocessado, óleo de soja/milho, álcool, sono ruim, sedentarismo, estresse crônico = aumentam IL-6, TNF-α, PCR. Marcadores: PCRus >1 mg/L, ferritina alta, glicemia >90, HbA1c >5,4. Limpar o cardápio reduz dor em 40-60%.

Fibromialgia tem cura?

Não tem cura, mas tem controle excelente: sono restaurador (TCC-i, magnésio, baixa dose de amitriptilina ou ciclobenzaprina), movimento aeróbico leve diário, força progressiva, vitamina D >40, ômega-3, terapia cognitiva, evitar gatilhos (frio, estresse, álcool). Pregabalina/duloxetina ajudam alguns casos.

Dor lombar crônica — o que funciona de verdade?

Movimento > repouso. McKenzie, fortalecimento de core, hip hinge, caminhada diária, fáscia (foam roller). Ressonância achando 'protrusão' raramente é a causa real (90% dos adultos sem dor têm). Cirurgia: só em déficit neurológico ou dor refratária após 6+ meses de tratamento conservador.

Dor de cabeça crônica — enxaqueca x tensional?

Enxaqueca: pulsátil, unilateral, fotofobia, náusea, >4h. Tensional: pressão bilateral, sem náusea. Profilaxia enxaqueca: magnésio 400 mg, riboflavina 400 mg, CoQ10 100 mg, sono regular, hidratação, dieta sem gatilhos (vinho, chocolate, queijo curado). Triptano só no ataque, <10×/mês.

Sono ruim piora dor?

MUITO. Uma noite ruim aumenta sensibilidade dolorosa em 30% no dia seguinte. Privação crônica = inflamação sistêmica + redução de serotonina + sensibilização central. Tratar sono é primeira intervenção. Veja /insonia.

Movimento dói — não devo parar?

Repouso prolongado piora dor crônica (atrofia, encurtamento, deconditioning, depressão). Regra: movimento gradual, dor <4/10, parar se piorar 24h depois. Hidroginástica, caminhada, yoga, mobilidade. 'Hurt ≠ Harm'.

Curcumina, ômega-3 — funcionam?

Curcumina 1.000 mg + piperina reduz dor articular e sistêmica (meta-análises). Ômega-3 EPA 2-3 g/dia reduz dor inflamatória em ~30%. Vitamina D >40 ng/mL é obrigatório (deficiência amplifica dor). Magnésio glicinato 400 mg ajuda dor + sono.

Cannabis medicinal — vale?

CBD (sem THC ou baixo) tem evidência razoável para dor crônica neuropática, fibromialgia, dor oncológica. Dose 25-100 mg/dia. Não vicia, não 'chapa'. Receita branca + Anvisa. THC alto: risco de tolerância, ansiedade, psicose em predispostos.

Bloqueio, infiltração, ozônio — quando?

Bloqueio com lidocaína/corticoide: alívio temporário em pontos-gatilho, articulação. Ozônio intradiscal/articular: evidência crescente. Infiltração de PRP/ácido hialurônico em joelho/ombro: ok. Não substituem reabilitação, são pontes.

Acupuntura funciona?

SIM para lombalgia, cervicalgia, enxaqueca, fibromialgia, joelho. Cochrane confirma. Procurar acupunturista médico ou fisioterapeuta com formação. 8-12 sessões geralmente.

Estresse e trauma alimentam dor?

MUITO. Trauma da infância (ACE), TEPT, depressão, ansiedade hiperativam córtex insular e amígdala — onde a dor é processada. Terapia (TCC, EMDR, somatic experiencing) reduz dor crônica em 30-50%. Não é 'mente fraca', é neurociência.

Como saber se estou com sensibilização central?

Pistas: dor desproporcional ao achado físico, dor que migra, alodínia (toque leve dói), hiperalgesia, fadiga crônica, sono ruim, brain fog, intolerância a frio/luz/som. Tratamento: pregabalina/gabapentina baixa, duloxetina, TCC, exercício gradual.

Frio ou calor — qual usar?

Calor: dor muscular crônica, rigidez, contratura. Frio: inflamação aguda, trauma, edema. Crônico inflamatório (artrose ativa): alternar. Crioterapia local 10-15 min, calor úmido 20 min.

Postura ruim causa dor?

Mais importante que postura 'perfeita' é variar de posição. Ficar 8h sentado em qualquer posição dói. Levantar a cada 30-50 min, alternar pé/sentado, fortalecer glúteo e core. Ergonomia básica: monitor na altura dos olhos, joelhos a 90°, pés no chão.

Dor pélvica crônica feminina?

Investigar: endometriose (RM), bexiga hiperativa, vulvodinia, contratura de assoalho pélvico, SII, aderência pós-cirurgia. Fisioterapia pélvica + nutrição anti-inflamatória + abordagem hormonal. Veja /menopausa e /mulher-40.

Quando ir ao especialista de dor?

Dor >3 meses sem resposta a 2-3 abordagens; uso crescente de opioide; depressão/ansiedade associada; perda funcional importante. Procurar médico da dor (anestesista ou neuro com título de área) ou clínica multidisciplinar.

Vou ter que conviver com dor pra sempre?

Não necessariamente. 60-70% das dores crônicas melhoram MUITO com abordagem multimodal correta em 6-12 meses. O resto: aprender a viver bem APESAR da dor (terapia de aceitação, ACT). Funcionalidade > ausência de dor.

Glossário (15 termos)

Sensibilização central: Sistema nervoso amplifica dor mesmo sem lesão.
Hiperalgesia: Estímulo doloroso dói mais que deveria.
Alodínia: Estímulo não-doloroso (toque) passa a doer.
Nociceptiva: Dor por lesão tecidual real.
Neuropática: Dor por lesão de nervo (queimação, choque).
Nociplástica: Dor por disfunção do processamento (fibromialgia).
AINE: Anti-inflamatório não-esteroide; risco GI/renal/CV.
Opioide: Morfina, oxicodona, tramadol, codeína; tolerância e dependência.
PCRus: Marcador de inflamação silenciosa, alvo <1.
TENS: Eletroestimulação transcutânea para dor localizada.
RFA: Radiofrequência ablativa para dor facetária.
PRP: Plasma rico em plaquetas, infiltração regenerativa.
Pregabalina: Modula canais de cálcio, dor neuropática/fibro.
Duloxetina: ISRSN com efeito analgésico em dor crônica.
ACT: Terapia de Aceitação e Compromisso, ouro para dor crônica.

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